Desde o início do cinema e nos anos subsequentes, os perfis de mulheres encontrados na indústria do entretenimento eram limitados à mulher frágil e indefesa, o da mulher fatal que usava a beleza para fragilizar os homens e era vista como vilã, e a esposa ou mãe dedicada ao lar.
Um exemplo, talvez menos evidente, dessa representação feminina é o filme “Bonequinha de Luxo” (1961), estrelado por Audrey Hepburn, que narra a história de Holly Golightly, uma mulher que, embora independente, tem uma personalidade marcante e teve sua história moldada a partir da beleza, do desejo masculino, do romance e do casamento, que era o padrão na época.
Contudo, nas décadas seguintes, esse padrão começou a ser questionado. O movimento feminista ganhou força globalmente e, no Brasil, mesmo diante da repressão da ditadura militar, diversos movimentos de mulheres passaram a se destacar, especialmente a partir da década de 1970. Com isso, o cinema passou a reconhecer a necessidade de novas representações femininas.
Um exemplo interessante dessa evolução, é o filme “Central do Brasil”. Dora, interpretada por Fernanda Montenegro, representa uma mulher avessa ao estereótipo da “mocinha” tradicional. Ela é solitária, amarga, egoísta, contraditória e cheias de imperfeições. E, ao contrário de Holly, ela não precisa ser agradável ou perfeita para ser a protagonista.
E um dos melhores exemplos que ilustram como a mulher é retratada, ou deveria ser retratada atualmente, é o filme da bonequinha mais famosa e amada, a Barbie. O filme “Barbie” (2023), dirigido por Greta Gerwig, com Margot Robbie como protagonista, serve para discutir estereótipos femininos como padrões estéticos, expectativas em relação a mulher, carreira, modernidade, relacionamentos com homens e identidade feminina. Ele reforça o slogan central da Barbie ao longo dos anos: “Você pode ser tudo o que quiser”.
Apesar de termos evoluído consideravelmente na representação feminina dentro da indústria do entretenimento, isso nao indica que a jornada chegou ao fim. Afinal, representar mulheres vai além de colocá-las em destaque, mas envolve permitir que estejam ali de diversas maneiras: fortes e vulneráveis, certas e erradas, engraçadas, ambiciosas, complexas e, principalmente, reais.
Devemos questionar agora: “Quais mulheres ainda não estão sendo representadas?”
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