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Em destaque A mulher moderna conquistou tudo Inclusive o direito de trabalhar em dobro
Ciência Especial

A mulher moderna conquistou tudo Inclusive o direito de trabalhar em dobro

Dizem que mulher é multitarefa, talvez porque ninguém tenha tido a consideração de perguntar se ela queria ser.

A mulher moderna conquistou tudo Inclusive o direito de trabalhar em dobro
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Mulheres podem trabalhar, estudar, ter filhos ou não, construir uma carreira, cuidar da casa, da aparência, ter a obrigação de conseguir uma vida social e ainda tentar descobrir o que querem fazer da própria vida.

Mas em nenhum momento está incluso tempinho para cuidar da saúde mental. Porque aparentemente esse tempo não existe.

Em 2022, mulheres brasileiras dedicaram em média 21,3 horas por semana só aos afazeres domésticos e cuidados de outras pessoas. Os homens dedicaram 11,7 horas, são quase dez horas de diferença, segundo o IBGE, essa desigualdade continua mesmo quando mulheres também têm um trabalho remunerado.

Porque a sobrecarga não está só nas tarefas, está na sensação de que sempre existe uma próxima tarefa esperando quando você terminar, você mal termina uma e já tem outra. Resolve um problema e aparecem dois e quando finalmente para ainda tem que lidar com a culpa e os julgamentos de "não estar fazendo nada".

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O problema? Não existe horário de expediente para essa carga mental e essa rotina cobra o seu preço.

Em 2024, 7 em cada 10 registros de problemas de saúde mental relacionados ao trabalho eram de mulheres. E esse número não aparece do nada, existe a dupla jornada, a responsabilidade maior pelos cuidados e a violência que elas sofrem fazem parte dessa conta.

7 em cada 10 e ainda acham que "dão conta de tudo". Frases usadas são "mulher é forte", "guerreira", "multitarefas". E talvez esse seja justamente o problema: transformar essa capacidade de lidar com uma rotina absurda em elogios, quanto mais uma mulher aguenta mais forte ela parece ser e quando finalmente não consegue mais, vem o espanto.

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No Agosto Lilás existe ainda mais uma parte dessa conversa que não pode ser deixada de lado: a violência contra a mulher
Controle, humilhação, ameaças e violência afetam profundamente a saúde mental. Nem toda violência deixa marcas visíveis mas isso não significa que não existam marcas.

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Talvez as mulheres não se sintam mais sobrecarregadas, só pararam de pensar que dar conta de tudo era o mesmo que estar bem consigo mesmas!

Porque se uma mulher precisa adoecer para ter permissão de parar então o problema nunca foi ela não saber descansar.

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