A depressão, em especial, poderia ser considerada um dos assuntos mais banalizados por
aqueles que nunca se depararam com a realidade cruel da doença. A ignorância acerca da
fragilidade mental dos jovens, em especial, é tão abundante que se torna um combustível
perigoso para uma mente fragilizada.
Tendo isso em vista, é de suma importância moral e ética questionar: a partir de que
momento a pobreza de uma percepção se torna a ruína de alguém?
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, aponta
indicadores de sofrimento psíquico profundo entre estudantes de 13 a 17 anos. Cerca de
18,5% dos adolescentes afirmaram sentir, sempre ou na maioria das vezes, que a vida não
vale a pena ser vivida. A pesquisa também contabiliza que três em cada dez adolescentes
afirmaram ter tido vontade de se machucar de propósito no último ano.
Diversos profissionais da saúde têm buscado justificativas para esse aumento. Entre eles,
destaca-se Jonathan Haidt, que atualmente é uma das principais referências na discussão
sobre possíveis causas desse fenômeno. O autor defende que a transição de uma “infância
baseada no brincar” para uma “infância baseada no smartphone” foi um dos principais
fatores relacionados ao aumento da depressão e da ansiedade entre os jovens.
Outros profissionais também contribuem para essa discussão, destacando fatores como a
instabilidade econômica, a falta de perspectiva de carreira, o isolamento prolongado,
potencializado pelo uso da tecnologia, a quebra de rotina causada pela recente pandemia,
além das crises climáticas e geopolíticas globais, entre muitos outros fatores.
Em suma, um transtorno mental é tão multifacetado e complexo quanto o próprio ser
humano. Suas causas podem estar relacionadas a aspectos psicológicos, sociais e físicos,
apresentando diferentes nuances para cada indivíduo.
Portanto, por se tratar de uma condição tão individual, seu tratamento deve ser conduzido
com seriedade e comprometimento, por profissionais devidamente capacitados e, acima de
tudo, deve ser respeitado como a adversidade que, sem dúvidas, é.
Sua saúde mental é mais preciosa do que qualquer empecilho ou ignorância direcionada a
você. Em um mundo tão repleto de ilusões, entender e respeitar seus próprios limites e
necessidades é de suma importância.
A vida é importante e deve ser valorizada. Em casos de crise, o Centro de Valorização da
Vida (CVV) oferece atendimento pelo telefone 188 e também por chat. O governo brasileiro
também dispõe dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem atendimento
em saúde mental.
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